Pensando sobre Tecnologia da Informação

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Esgotamento de recursos naturais

Published 21 May 08 10:57 AM | Gebara 

Este deveria ser o pensamento que norteia a vontade de ser "verde".  Mas parece que continua não sendo.

A onda do pensamento "verde" vem do fato, sempre bem escondido para a manutenção de nosso conforto, de que os recursos naturais da forma como os consumimos e por causa do nosso desleixo no descarte dos dejetos, tendem a se esgotar (parece que mais rapidamente do que o inicialmente projetado). Esta mensagem tem aparecido fortemente em todo tipo de mídia, online ou offline, e passou a ser forte peça de marketing de um número cada vez maior de empresas, preocupadas muito mais em "parecer verde" do que realmente "ser verde".

Como não podia deixar de ser, a "onda verde" chegou em TI. Hoje é parte do marketing de boa parte das empresas da indústria de tecnologia ressaltar suas "iniciativas verdes" ou mesmo apresentar "produtos verdes". Alguns, efetivamente, nada mais são do que aquele velho produto embrulhado num papel de presente mais bonito (muito mais parecidos com o Cavalo de Tróia). E, como sempre, a leitura cuidadosa e crítica dessas iniciativas é importante para que as decisões corretas sejam tomadas.

Durante uma das mesas-redondas sobre Green IT do RAF 2008, eu apresentei as seguintes provocações: a) para empresas que pensam seriamente em redução de custos, o "TI verde" é um efeito colateral; b) a partir do momento em que os governos possuam legislações efetivas sobre o que é "ser verde" e reforçar a sustentabilidade como uma das regras de comportamento da sociedade, "TI verde" passa a ser o componente principal com a redução de custos passando a ser o efeito colateral; c) quando as bolsas de valores colocarem a sustentabilidade como regra para a adesão ao mercado acionário, as empresas terão mais empenho no assunto, mas "TI verde" e redução de custos serão os efeitos colaterais de uma necessidade econômico/financeira: a sustentabilidade da própria empresa, sua longevidade.

É esse o ponto que acredito ser o fundamental para acreditar em "iniciativas verdes". Empresas que prezam sua longevidade, que não parecem ser apenas iniciativas para o rápido enriquecimento de seus fundadores, têm uma necessidade muito maior de integrarem a "filosofia verde" em seus fundamentos do que as outras. Vejo esse exemplo não só nas grandes empresas de TI (que são hoje governadas por conselhos multi-disciplinares e grandes investidores, muitas delas já blindadas contra os caprichos de seus fundadores) mas também em outras indústrias, inclusive a financeira que, por não ser produtoras de bens duráveis ou não duráveis, não deveria ter marketing de destaque neste assunto. Mas algumas das empresas deste segmento seguem fortemente a "linha verde", pois para manter sua longevidade, para embarcar em mercados antes difíceis de serem explorados, têm colocado a "filosofia verde" dentro de suas atitudes e não só seu marketing.

A aculturação dos fornecedores, dos funcionários, dos consumidores, a escolha adequada dos componentes, o investimento em qualidade para a durabilidade e não para a produção de um número cada vez maior de descarte, é uma base sólida para a transformação das empresas em empresas que têm a sustentabilidade com um de seus pilares.

Eu me lembro bem das aulas de biologia, em que brincávamos de fazer culturas de bactérias nas placas de Petri. O crescimento dessas culturas nos momentos iniciais era fenomenal e depois a taxa de crescimento caía, migrando para uma "morte" da cultura. Uma das razões: o crescimento descontrolado da população, somada à falta de crescimento da fonte de alimento e à crescente presença de dejetos no meio-ambiente, decretavam a falência daquela cultura. Na hora em que fiz esta primeira experiência (e já faz tempo, acreditem) eu pensei: será que um dia isso acontecerá conosco? Santa inocência, eu acreditei que não.

Bom feriado para todos.

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