Leitura recomendada: Uma Lógica Chamada Joe
1946. De novo, 1946. É por isso que adoro ficção científica.
Aqui vão alguns trechos para vocês ficarem curiosos. Qualquer semelhança com a Internet, deve ser mera coincidência.
Trecho: "Mas além disso, se quiser saber a previsão do tempo ou quem ganhou hoje a corrida em Hialeah ou qual foi a mulher que dividiu com o presidente Garfield a administração da Casa Branca durante aquele período de governo ou o que é que a firma de fulano ou beltrano está liquidando hoje, isso também aparece no vídeo."
Trecho: "A matriz do receptor é um enorme prédio que contém todos os fatos desde a criação do mundo e qualquer programa de televisão que já foi gravado até hoje — e está ligado a tudo quanto é receptor do país inteiro — e qualquer coisa que você queira saber, ver ou ouvir, é só apertar a tecla e lá está."
Trecho: "Também faz operações de matemática para você, funciona como guarda-livros, farmacêutico, físico, astrônomo, vidente e, de quebra, como "Consultório Sentimental"."
Como todo bom conto / romance de ficção científica, o perigo se aproxima.
Trecho: "Será que você não sabe, xará, que há anos ela vem fazendo o serviço de computação de tudo quanto é firma? Se encarrega da distribuição de noventa e quatro por cento dos programas de televisão, das informações sobre o tempo, horários de vôos, liquidações especiais, oportunidades de empregos e notícias; trata dos contatos pessoais por telefone e grava todas as conversas e fechamentos de negócios — ouça, xará! As lógicas modificaram o nosso sistema de vida. São a própria civilização!"
Trecho: "Tirando esse troço de circulação, vamos voltar a uma espécie de mundo que nem se sabe mais como funciona!"
Leitura mais que obrigatória...
Último trecho: "Lá por mil novecentos e tanto, o cara tinha que usar máquina de escrever, rádio, telefone, telex, jornal, biblioteca pública, enciclopédias, arquivos comerciais, catálogos, sem falar nos serviços de recados, advogados de consulta, farmacêuticos, médicos, dietistas, funcionários, secretárias — só para anotar o que queria lembrar e para ficar sabendo o que outras pessoas tinham dito a respeito do assunto que lhe interessava; para transmitir o que houvesse dito a alguém e, depois, comunicar-lhe a resposta recebida. A gente, em compensação, só precisa das lógicas. Tudo o que se quiser saber, ver, ouvir ou conversar com alguém, basta apertar o teclado. Agora, é só desativar o sistema e tudo vai para o beleléu. "
Puxa, e pensar que eu já estava vivo lá por mil novecento e tanto...
Referência
LEINSTER, Murray. Uma lógica chamada Joe. In ASIMOV, Isaac; WARRICK, Patricia S.; GREENBERG, Martin (orgs.) Máquinas que pensam. Tradução de Milton Persson. Porto Alegre: L&PM, 1985.
Uma versão em inglês pode ser encontrada em: http://www.baen.com/chapters/W200506/0743499107.htm