Pensando sobre Tecnologia da Informação

↑ Grab this Headline Animator

Dois extremos

Published 24 April 08 11:17 AM | Gebara 

Uma das coisas mais fascinantes na minha atual função da Microsoft é a amplitude da minha atuação. Fazer parte de alguns times virtuais dentro da empresa, trabalhar como colaborador na ABNT, fazer mesas-redondas com clientes, ajudar nos processos de decisão tecnológica, ir a parceiros ajudar em projetos, fazer uma infinidade de áudio-conferências, encontrar funcionários de empresas privadas, governos, universidade, falar com estudantes e iniciantes etc etc. E tem uma atividade que, na minha visão otimista do mundo, torna tudo isso sem preço: em nossos treinamento anuais nos Estados Unidos, eu costumo pegar uma hora em um dia qualquer, sentar sozinho num dos corredores desses imensos centros de convenção e ficar ouvindo, somente ouvindo, uma miríade de idiomas diferentes, da Ásia às Américas, como em uma Torre de Babel; e ficar olhando um conjunto espantoso de vestimentas e formas de expressão corporal, tentando entender a conexão entre esses comportamentos e suas culturas e (sempre errando, é claro) tentando adivinhar de que país é uma determinada pessoa. E quando alguns grupos se encontram, voilà, lá vai o povo todo falando (ou pelo menos tentando falar) inglês, tentando se comportar de uma forma mais "globalizada"... Sem preço...

E tudo isso me ajuda a entender e viver uma realidade importante no dia a dia com clientes, parceiros e colegas de trabalho: visões diferentes do mundo são essenciais para o progresso das idéias. Ter apenas uma visão do mundo e desprezar ou menosprezar qualquer outra é falhar no entendimento do que é ser humano. É preciso um grande esforço para não perder essa perspectiva. É preciso muito esforço para amalgamar todas essas visões como forma de compor e ampliar nossa própria visão e compreensão.

Mas, o que este assunto tem a ver com o título desta postagem?

Porque, num mesmo dia, tive contato com duas visões diferentes do que é a tecnologia da informação:

  1. Um mal necessário;
  2. Um elemento estratégico.

São dois extremos: uma visão daqueles que somente usam tecnologia porque precisam dela e, aparentemente, não traz vantagem competitiva ao negócio e outra visão, a daqueles que usam a tecnologia como forma de criar novos mercados e negócios.

Será que é isso mesmo? Quando eu interajo com uma indústria de bens de consumo, entendo que a tecnologia da informação seja tratada como mal necessário, mas somente até certo ponto. Vejo que TI é extremamente importante, até o ponto de se tornar estratégica, quando se fala na logística de distribuição e produção de bens. Otimizar o fluxo de trabalho de uma fábrica de grande porte para que se aproveite ao máximo sua capacidade produtiva é um desafio secular para essas empresas. Entregar a produção em prazo suficiente para que o produto ainda esteja no prazo de validade adequado ao chegar às prateleiras é, e deve continuar sendo por um bom tempo, fundamental para que a empresa continue sendo competitiva. O mundo just-in-time, sem um bom fundamento e uma boa estabilidade de TI, corre alto risco de ser um desastre. E isso justifica os imensos investimentos que são realizados em TI para a cadeia produtiva. Normalmente são investimentos em pacotes de software que já trazem toda a gama de algoritmos e conhecimento acumulado de indústria, fazendo com que se molde às necessidades atuais. Ao mesmo tempo, o investimento em equipes de desenvolvimento e em sua qualificação é pequeno, a não ser que a empresa veja vantagem financeira em produzir o pacote em casa ao invés de adquirir de um fornecedor especializado.

Mas a visão de TI engloba também os serviços que são executados pelos funcionários não produtivos, que algumas empresa até chamam de overhead. São os serviços administrativos, braçais, maçantes e burocráticos que todos nós somos obrigados a fazer. E, nesse ponto, até sou obrigado a entender a visão de que TI é um mal necessário (embora eu continue não concordando).

Há luz no fim do túnel: produtividade de processos e funcionários. Quantas vezes não nos deparamos com uma excelente performance de produção que é prejudicada por travas processuais e burocráticas nas empresas, que levam à ineficiência e ao desperdício? A análise adequada e realista do porque esses processos e burocracias existem e como podem ser otimizados e redesenhados, pode fazer com que a visão de TI como mal necessário passe a ser TI como uma ferramente de apoio, do mesma forma como ela o é na cadeia produtiva e de distribuição. Talvez nunca chegue a ser elemento estratégico de negócios, mas com certeza vai deixar de ser mal vista.

Precisamos, porém, lembrar a cada momento: ferramentas servem para automatizar processos. Se os processos forem falhos, as ferramentas vão fazer com que essas falhas aconteçam mais rapidamente, levando muitas vezes ao efeito de bola de neve. E, aí, a atitude mais natural é abandonar a ferramente por causa desses erros e voltar aos processos antigos que, quando executados por seres humanos, sempre terão um "jeitinho" de serem consertados durante sua execução. Máquinas ainda não são tão inteligentes assim.

Filed under:

Comments

# Arquitetura de Soluções said on April 25, 2008 2:14 PM:

Olá pessoal, tudo certo? Bom, se você tem acompanhado os posts e webcasts frequentes do Otávio , do Gebara

Anonymous comments are disabled

Search

This Blog

Syndication

Page view tracker