Por: Djam Bakhshandegi
Gestor do Programa CSI da Microsoft em África

Encontrar emprego continua a ser uma batalha quotidiana para milhões de jovens. Embora as perspectivas de crescimento económico em África sejam boas, o aumento do desemprego juvenil restringe áreas essenciais desse crescimento. Os governos e as indústrias devem saber acompanhar as oportunidades para explorar o seu potencial, ou enfrentar um futuro problemático.   

Com quase 200 milhões de pessoas entre os 15 e os 24 anos actualmente em África, a comunidade jovem representa mais de 60 porcento da população total do continente, e 45 porcento da sua força de trabalho crescente. Peritos prevêm que até 2035, a força de trabalho em África será maior que a da China.

Por isso existe uma verdadeira oportunidade de tornar os jovens na força propulsora da prosperidade e do crescimento em toda a região. Entretanto, as estatísticas da Organização Internacional do Trabalho mostram que na verdade, o desemprego juvenil em África aumenta à medida que aumentam os níveis de ensino. É uma triste verdade que os jovens africanos são mais alfabetizados que os seus pais, mas mesmo assim muitos mais deles estão desempregados. Devemos começar do zero para assegurar que os trabalhadores jovens têm a capacidade de assumir este papel importante no futuro. E como tal, os nossos esforços devem centrar-se no núcleo fundamental de providenciar ensino de qualidade.    

A evidência sugere que os resultados escolares no ensino secundário regrediram em alguns países africanos, mas a literacia geral está a aumentar e a África gasta mais no ensino secundário do que a média global. 

Então, que nos falta? Qual é a receita para mudar esta tendência, melhorar o ensino e ter um impacto positivo no emprego juvenil em África? A resposta deve certamente ser, identificar as aptidões adequadas de que os jovens precisam para suceder na actual economia do conhecimento, e depois promover o acesso a essas aptidões.  

Cientes de que os jovens são a pedra angular do crescimento económico e da competitividade, os legisladores em África e no Médio Oriente realizaram uma série de actividades e tomaram decisões visadas a aumentar a assistência e as oportunidades para os jovens. Mas este não é somente um empreendimento para os governos. O sector privado também tem a obrigação de reduzir a epidemia do desemprego juvenil, e como líder no sector de TI, o papel da Microsoft é particularmente vital. À medida que a tecnologia se torna mais arreigada nas indústrias, do fabrico aos serviços de saúde e à agricultura, as competências de TI são competências do século XXI altamente prioritárias para os patronatos. Esta viragem é evidente à juventude e é realidade em todos os cursos de desenvolvimento profissional? Nós temos a responsabilidade distinta de comunicar estes avanços através do diálogo aberto com provedores do ensino, e referir as aptidões que eles esperam que os futuros empregados tenham.  

Recentemente, a Microsoft lançou a iniciativa YouthSpark, um novo programa de toda a empresa, com o objectivo de abordar a divisão em oportunidades – a lacuna entre os que têm aptidões, acesso e oportunidades para
serem exitosos, e os que as não têm – que os jovens enfrentam. Com esta iniciativa, a Microsoft está a criar oportunidades para os jovens africanos através de parcerias com governos, organizações sem fins lucrativos e negócios
relacionados. Comprometemo-nos a servir os jovens providenciando-lhes a tecnologia valorizada e a formação comercial necessárias para poderem seguir o ensino complementar, obter emprego ou começar um negócio ou ventura
social.    

Como exemplo, através de YouthSpark, só na África subsariana, já chegámos a mais de meio milhão de jovens e fizemos $1.1 milhão de doações de software a organizações não-governamentais. Além disso, formámos cerca de 30 000 professores através das ferramentas Parceiros na Aprendizagem, e já equipámos centenas de pequenos e médios negócios com as competências iniciais relevantes.

Fico satisfeito porque já existem na região os mecanismos específicos para encorajar aptidões e empregabilidade, e lutar contra o desemprego juvenil. Como legisladores, negócios locais, organizações internacionais e sem fins lucrativos, é essencial estarmos não só no mesmo navio, mas remando todos na mesma direcção.  Evitar a questão por mais tempo é um erro – os jovens têm o potencial, as aptidões e o entusiasmo para levarem a África em frente, e devemos proporcionar-lhes a melhor oportunidade de o fazerem.